sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Pessoa de respeito

Não acho que eu faça o tipo “amiga confidente”. Aliás, não sei nem se faço muito o tipo “amiga”. Sou daquelas pessoas que expressa a opinião sincera, mesmo sabendo que as vezes as pessoas vão correr. E, aliás, acho até bom, pois faz um belo filtro (acabam ficando por perto apenas pessoas francas e prontas pra honestidade).
O engraçado é que quando este traço se combina com o fato de eu ter formação em psicologia parece que acabo virando um íman de histórias de vida inusitada. E a última delas me fez refletir sobre a confusão em que andam as pessoas.
Apesar de eu ser o que a Sandy chamaria de “jovem pra ser velha e velha pra ser jovem” (rs) me sinto um pouco saudosista em relação a “vida pré-smartphone e internet banda larga”. Toda essa coisa de Skype, whatsaap, snapchat e essas paradas da vida moderna, acaba nos colocando em certos apuros. Acho que a comunicação à distância nos afasta da profundidade da informação. Afinal, cada pausa, cada respiração ofegante, cada desvio de olhar... tudo isso tem peso na comunicação e acaba se perdendo em alguns meios de comunicação. E esta história que ouvi recentemente me fez pensar um pouco sobre isso.
Um amigo que foi casado há muito tempo e está recém separado da mulher me chamou para pedir uma opinião sincera sobre uma determinada conversa virtual que ele estava estabelecendo com uma “paquera” (G-zus! Ainda se usa esse termo? Me sinto uma velha falando assim...haha).
No início do papo tudo normal: “peguei seu contato com fulano”, “queria te conhecer melhor”, ”gosto de x, y,z coisas e você?” e papo se desenrolando até que a moça começa a puxar o assunto pra um viés um tanto mais picante. Lá pelas tantas depois de muitas provocações verbais por parte da moça veio o ápice da provocação: o famoso “nudes”. (Uow! Poderia ser o dia de sorte do cara, hein?!)
Pois é. Ele bem pensou que tinha tirado a sorte grande, considerando que toda a iniciativa e provocativas haviam partido dela. Mas quando ele achou que estava se dando bem a coisa entornou. Ele lançou um aparentemente oportuno “vem aqui em casa, estou sozinho e quero ver isso pessoalmente”. Mas qual não foi a surpresa! Ao invés de um “estou indo”, o que ele recebeu como resposta foi uma enxurrada de ofensas e xingamentos.
Segundo a moça as provocações não passavam de um teste (e não preciso nem dizer que meu amigo coitado falhou miseravelmente). A moça finalizou dizendo que não era qualquer uma, que era “de respeito”. Disse estar decepcionada por ele ter continuado a conversa picante dela e que ele tratasse de não falar com ela nunca mais.
Após me contar todo este ocorrido ele me perguntou: O que eu fiz de errado?
E sinceramente não soube o que dizer. Estava em choque por, em pleno 2016, ainda ter pessoas que se apegam a conceitos tão abstratos como o de “pessoa de respeito”. Que diabo é ser uma pessoa de respeito?
Acho que cada pessoa tem o direito de ser quem é. Existem os discretos, os porra-louca, os recatados e tantos outros tipos de posturas que não cabe numa lista de rótulos. E acredito que nas relações pessoais vale o que falo para os aprendizes que atendo em processo seletivo: “Não existe comportamento certo para a vaga. Sejam naturais e assim acabarão em vagas com seus perfis. Se você é tímido não esconda, se é expansivo também não. Assim é possível encaminhar cada um para as vagas mais alinhadas com seu jeito de ser”.
Assim eu acho que é a vida. Se sou recatado acabarei atraindo meus semelhantes, se sou do tipo doidão acabarei achando outros doidões e por aí afora. Não tem necessidade de armar uma arapuca pros outros como fez a pretendente do meu amigo. Se não fosse esse joguinho desnecessário, em algum momento a vida se encaminharia de mostrar que eles são diferentes. Por um caminho mais brando, sem constrangimentos para ninguém.
Então deixo aqui minha resposta atrasada ao meu amigo e um apelo:
- Não, amigo, você não fez nada errado. Apenas foi transparente em suas intenções com uma pessoa infantil demais para agir da mesma forma.
- Por favor, pessoas! Mais transparência e menos joguinhos. São 7bi de outras pessoas nesse planeta e não vai dar tempo de conhecer todo mundo. Ser honesto sobre si mesmo é o melhor atalho para atrair quem realmente combina com você. Não complique!

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Meritocracia de cú é rola


Eu poderia muito bem ter colocado de maneira delicada (ou pelo menos educada), mas como dizem os publicitários “o meio é a mensagem” e acho que esta é uma reflexão que deve ser feita sem hipocrisia. Já escrevi algumas vezes sobre como essa vida não é justa sob alguns aspectos, e se tem um tema que remete fortemente a injustiça (ainda que seja extremamente velado) este tema é a tal da meritocracia.

Outro dia mesmo eu li uma frase de um célebre empresário que dizia: “Se você nasceu pobre a culpa não é sua. Se você morreu pobre a culpa é sua”. Com todo o respeito ao senhor Bill Gates, puta babaquice isso aí. Então quer dizer que se morro tão pobre quanto nasci significa que ou eu gosto da pobreza ou a mereço? É assim tão simples? Tem certeza?

E olha que eu nem posso chorar tanto, dependendo do ponto de vista.

Nasci numa família pobre com um pai que não passou da quinta-serie e uma mãe que concluiu o ensino médio num supletivo a distância depois dos 50 anos por uma exigência do trabalho. Meus pais foram sempre muito rígidos com minha educação, sempre me deram livros (a maioria dados pela patroa da minha mãe nos seus tempos de doméstica) e sempre tiveram uma régua muito alta pras notas da escola. Quando criança achava até meio exagerado, pois não via os pais dos meus amigos fazendo o mesmo. Hoje agradeço. Me ajudou a chegar onde estou.

Isso significa que minha vida desenrolou de forma que acho justa? Não mesmo.

Precisei abrir mão de muitas vagas de emprego por não ter inglês, por exemplo. Desleixo meu? Não creio. Esse era um luxo que meus pais não puderam me dar e eu só iniciei quando já estava na faculdade e estagiando pra ganhar uma grana. Porém chegou uma hora que não dei conta de estagiar, fazer faculdade e fazer inglês (alguns estágios obrigatórios eram de final de semana, aí já viu...).

Os adeptos da bandeira da meritocracia podem até dizer que todos tem o direito de sonhar, que basta se esforçar um pouco que tudo é possível pra quem tem boa vontade. Mas sou obrigada e discordar. Pois “da ponte pra cá” o número de sacrifícios feitos por dia é bem maior.

Me lembro bem do ano de 2008 quando estava na faculdade encantada com o que aprendia e doida para trabalhar com cuidados paliativos. Naquele tempo consegui uma entrevista num hospital referência e passei. Porém a frustração foi tão grande que meus pais nunca souberam. O motivo da frustração? O estágio não era remunerado e eu não conseguiria frequentar a faculdade sem uma fonte de renda, por mais que fosse bolsista integral. Não daria conta de pagar os livros e a condução. Resultado: um sonho deixado para trás. Mesmo após ter conquistado a oportunidade, motivos maiores me afastaram dele.

Não desdenho de quem chegou em lugares que chamamos de topo (seja esse topo um alto cargo, sucesso na mídia ou uma formação diferenciada). Sei que mesmo com todas as facilidades, indicações e sorte na vida, se a pessoa não souber aproveitar o contexto ela pode fracassar. Mas também não venha me convencer que todos estamos no mesmo patamar de oportunidades. Um belo exemplo disso é uma imagem que trombei no facebook dias atrás:




Resumindo: se você é pobre precisa ganhar dinheiro antes de sonhar em constituir uma família grande, caso contrário isso faz de você um aproveitador.

E se ainda não está convencido de que meritocracia não é assim tão justa quanto tentam nos convencer, não deixe de ver o quadrinho abaixo. É um soco na cara da inocência.


quinta-feira, 14 de julho de 2016

Quinta-feira, 13 de julho de 2006

Antes que você pense, não. Não me confundi  na data. Acontece que ontem não foi apenas dia do rock, mas foi também um dia que marcou o começo de um caminho. Um caminho bobo, mas um caminho só meu. A minha verdadeira auto ajuda que sonhadora (ou talvez até arrogantemente) espera ser a "auto"ajuda de outras pessoas também. Não sei se alguém já foi tocado por aqui. E se não foi a chande de que isso aconteça é cada vez menor, visto que, como me disse uma amiga uma vez, sou "praticante de uma arte morta". Veja só...arte morta: escrita.

Pois é amigos. Ontem fizeram 10 anos que escrevo neste humilde blog. Que começou se chamando "taopequena.blogspot.com" porque era exatamente como me sentia: pequena, insignificante, quase oprimida...Era pra ser a versão eletrônica do diário de uma jovem adulta de 18 aninhos que hoje pra mim é uma ponte entre eu e eu mesma. A "eu" de hoje e a "eu" que estou me tornando.

Então este texto comemorativo vai ser como uma capsula do tempo. uma comparação entre esses "eus". Porque o mundo muda e nós também. O tempo todo.

Há 10 anos atrás estava eu no meu no meu primeiro estágio, no primeiro semestre da faculdade. Hoje já tem 2 anos que concluí minha pós numa área que eu nem ao menos desejava atuar (mas que hoje de fato posso dizer que me satisfaz).

Há 10 anos eu não tinha celular com internet e conversar com os amigos por via eletrônica teria que ser feito na frente de meu desktop pelo msn (que nem existe mais, pra minha tristeza). E hoje às vezes me sinto ansiosa se as respostas demoram no whatsaap.

Há 10 anos eu achava que com quase 30 estaria estabilizada na vida, com as finanças em ordem e chegando num estágio de quase tédio na vida. Hoje me sinto num dos melhores momentos que já estive. Com uma pequena dose de tédio, mas também muitas doses de sonhos e expectativas.

Há 10 anos achava que faria uma tattoo de rosa aberta no ombro (achava lindo). E hoje já tenho 6 tattoos, tenho mais umas 7 ideias na fila para tatuar e nenhuma delas é uma rosa.

Há 10 anos eu pesava 10kg menos que hoje e me sentia gorda. Hoje acho que estou até bem.

Há 10 anos não queria ter filhos nunca, mas sonhava com uma cerimônia de casamento pomposa. Hoje não quero ter filhos, nem cerimônia de casamento (mas ao mesmo tempo vivo quase um casamento fora do papel, e adoro!).

Há 10 anos reencontrava as pessoas no Orkut. Hoje as pessoas me acham no face, mas nem por isso nos achamos pessoalmente (muda o meio, mas a ineficiência continua igual...rs).

Há 10 anos achava que seria madura aos 28. Hoje me acho tão desajuizada quanto aos 16 e nem pretendo mudar isso.

Enfim...parabém bloginho! Obrigada por não me deixar esquecer quem eu fui e que tudo muda. TUDO MUDA.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Estupros, homofobia e o que o ódio nos ensina


Lembro de uma vez, há anos atrás, em que uma pessoa me perguntou porque eu não escrevia sobre política ou sobre as notícias. Eu lhe disse que “Não, obrigada! Não quero polêmicas. Não pretendo falar de política, religião, futebol, a temperatura do ideal do ar-condicionado nem nada que possa gerar uma avalanche de discordância”.

Mas hoje acordei diferente.

São tempos sombrios e de grande intolerância. Não vou chover no molhado repetindo aquelas notícias sobre estupro coletivo ou ataque terrorista à boate gay (quem não viu confere aqui e aqui).

Como se não bastasse o incômodo com os fatos em si, ainda tem todo o incômodo de lidar com a reação das pessoas. Ah, as pessoas... Legiões de juízes do topo dos seus tronos vomitando frases como “se estivesse em casa isso não aconteceria”, “quem tem este tipo de comportamento merece mesmo passar por isso” etc.
Bem que eu queria ser míope o bastante para acreditar que a justiça do mundo acontece desta forma. Mas preciso contar uma cruel verdade: a vida não é justa e não existe uma lei imediata de causa/efeito em que sofre apenas quem merece. E mais: o fato de alguém ter este ou aquele comportamento fora do padrão não a faz merecedora de ser vítima de violência de qualquer espécie.

Uma das reações mais desagradáveis que tive o desprazer de ler era uma chamada sobre uma menina estuprada e assassinada. Nesta chamada eram enaltecidas as qualidades da moça: de família, estudante e religiosa. Lembra daquele papo do “bela, recatada e do lar”? Pois é, ao que parece, apenas estas donzelas merecem estar vivas, as demais (as feias, devassas e das ruas) estão inconscientemente implorando para ser abusadas e mortas (Ah, claro! Realmente, isso parece uma delícia mesmo. Blackt!).

E mal esfriaram os holofotes do caso do estupro coletivo, veio mais um prato cheio aos julgadores internéticos: o ataque do atirador americano à boate em Orlando que, além das pérolas já descritas acima, também inspiraram comentários infelizes do tipo “pena que o atirador morreu antes de ser condecorado” ou “deve ter sido um alívio para a família dos mortos, afinal deve ser muito triste ter um homossexual na família”. (*silêncio de desgosto*) Não preciso comentar, ne? A decepção é óbvia.

Até compreendo que seja difícil para algumas pessoas entenderem porque uma jovem sobe o morro para um baile funk. Eu mesma não entendo...prefiro ficar em casa lendo ou vendo filmes ou sair pra comer ou ouvir outros tipos de música. Normal. São mais de 7bi de pessoas no mundo, ninguém é obrigado a gostar de nada.

Só acho que:

Você é contra bailes funk? Então não os frequente.

É contra homossexualismo? Então seja hétero.

Não gosta de determinado partido político? Então não vote nele.

Não gosta de roupas vulgares? Então, não as use.


Muito simples, minha gente! Não precisa matar ninguém nem ficar feliz com a violência que as pessoas sofrem. Se você fica alegre ou acha justo esse tipo de ocorrência, isso só prova que você está esperando apenas uma oportunidade para ser também um agressor (quem aprova o tiro poderia muito bem ter apertado o gatilho).

Acho que já seria um grande passo se as pessoas entendessem que respeito e tolerância não são como a água ou as árvores: não é recurso limitado que precisamos racionar porque senão acaba. Pode usar! Aliás, quanto mais usamos, mais temos. Afinal, não é fácil respeitar e tolerar o diferente, é um grande exercício de maturidade e auto-conhecimento. Não é errado sofrer pelo estupro coletivo da jovem na volta do baile funk e o fato de eu sofrer por ela não significa que não sofra por outras na mesma situação nem que eu também frequente bailes (e que fique bem claro que, mesmo se frequentasse, seria problema exclusivamente meu). Não preciso escolher a quem respeito, pois o ser humano é (ou deveria ser) capaz de se compadecer por todos os outros seres humanos sem distinção.

Todo ódio/repulsa/preconceito que temos nos revelam muito mais sobre nós mesmos do que sobre os outros. Vale a pena pensar a respeito.

Se doeu pelo baile funk? (Será que não está com um desejinho reprimido de curtir a vida também e por isso se dói pela diversão alheia?)

Se doeu pelo beijo gay? (Será que não tem algum instinto gay você também?)

Se ofendeu com alguma roupa chamativa que viu por aí? (Será que não gostaria de chamar atenção para si também?)

Sem querer soar ofensiva... Já odiou alguém? Ficou feliz pela dor de alguém que não te fez nenhum mal diretamente? Pare e reflita. Talvez descubra algo muito interessante sobre si mesmo...

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O dia que acordei feia

Não que eu seja linda. De forma alguma. Mas no geral também não sou horrorosa.

Sou daquelas café com leite que acorda baranga, se ajeita pra ficar aceitável e eventualmente (em ocasiões especiais em que os planetas chegam num alinhamento específico) posso até ser chamada de linda.

Na infância eu bem que poderia ter sido capa da revista crescer (bochechuda, cabelão liso bem comprido e pretinho. Uma graça). Na adolescência estava meio que cagando e andando com os padrões porque estava ocupada demais mergulhada no meu mundo interior desenhando, lendo, procurando bandas novas pra ouvir etc.

 

Fato é que minha infância é uma época já longínqua, a adolescência passou faz tempo, e a fase adulta não tá tão bem resolvida quanto eu esperava que seria.

 

Hoje acordei e não gostei da pessoa que me encarou do espelho.

 

Acho que já não estou mais tão cagando e andando pros padrões afinal, e o senso comum me pegou de jeito.

Não me acho mais um poço de inteligência e muito menos (MUITO MENOS) de beleza.

Parece que finalmente a tenacidade do raciocínio e a sagacidade da inteligência deram espaço a um grau mais acentuado de futilidade.

Se antes atender ao padrão estético da sociedade era lucro, hoje, por mais que me doa admitir, é uma necessidade para a auto estima. Já não me garanto mais apenas na riqueza do meu mundo interior e isso é uma tragédia. Uma grande tragédia.

 

Por que no dia em que nos rendemos ao que nos é imposto (aquela vida de novela das 20h ou de filme de sessão da tarde) fica decretado um estado permanente de frustração. Vamos combinar que este padrão que somos educados a engolir é beeeemmm complicado de alcançar, ne?

 

Uma pessoa esses dias me perguntou se este sentimento de frustração (com a própria aparência e desempenho na vida de maneira geral) tinha cura.

E sinceramente não consegui não ser muito otimista. Por todos os recursos que existem hoje e nos permitem xeretar na vida alheia imagino que não se frustrar é só para os fortes.

Estamos o tempo todo de olho da felicidade e sucesso alheio por meio de Facebooks, Instagrams, Whatsaaps etc.

Isso significa que você (você que neste momento me lê e eu mesma) é a pessoa mais fodida do mundo enquanto todo o resto da humanidade vive uma festa? Claro que não né! Mas esta compulsão geral de não dar um sorriso sem postar numa rede social nos legou o fardo da obrigação de estar sempre bem, sempre lindo e sempre bem sucedido (como se fosse a missão mais simples do mundo).

 

Essa facilidade de auto exposição nos tornou um tanto mais fúteis, mais preocupados com o que ostentamos pra fora do que o que trazemos por dentro.

Falando bem cruamente, eu acredito que uma coisa alimenta a outra. Não há como negar que quando estamos confiantes com o que apresentamos por fora (nossa aparência) recebemos um gás extra de autoestima que se reflete em encanto pessoal no contato com as pessoas. E o inverso também acontece: quando estamos cheios de nós mesmos (com um bom fluxo de pensamento e ideias novas rolando na cachola) esse brilho de dentro transborda pelos poros e é capaz de tornar qualquer barango num príncipe.

(Difícil acreditar? Mas aposto que alguma vez na vida já conheceu uma pessoa feia de doer, mas que de tão simpática vivia cercado de admiradores. Pois então. É o brilho de dentro transbordando!)

 

O triste é que cada vez mais a disputa entre o valor de dentro e o valor de fora tem se tornado desigual, e as pessoas – sabedeusporque –  tem ficado meio cegas ao brilho de dentro. O resultado é uma cobrança cada vez maior sobre o que não conseguimos controlar.

 

Minha dica pra abrandar o coração de toda esta angustia moderna?

Olha, não é tão simples na prática quanto na teoria...mas há que se voltar pra dentro um pouquinho. Porque a única coisa que de fato nos pertence está guardada na mente e é inegavelmente mais fácil evitar o empobrecimento do espírito do que o envelhecimento do corpo.

Os anos passam e a beleza se desgasta. Pra uns mais cedo e pra outros menos, mas como diz meu pai: Janeiro chega pra todo mundo! (Quando você começou a ler este texto era mais jovem do que é agora. Já parou pra pensar nisso?)

A beleza intelectual, por outro lado, fica mais apurada e encantadora a cada dia que passa, em cada frustração, cada conquista e cada nova experiência de vida, seja ela boa ou ruim. E que fique claro que quando uso a expressão “beleza intelectual” não me refiro a conhecimento acadêmico, mas àquele conhecimento que só a vida pode dar.

Cada ruga, cada quilo, cada ano adquirido traz consigo um pequeno tesouro. Um tesouro que não sai nas fotos e que não é tão fácil postar nas redes por aí...mas que quando encontrada nos dá a maior satisfação de todas: a satisfação da alma.

 

Daqui a pouco vem ano novo chegando e uma coisa que posso afirmar com 100% de certeza é que chegaremos lá mais velhos e com menos tempo de vida pela frente.

Portanto é questão de qualidade de vida fazer uma forcinha e resgatar o que realmente vale a pena.

Por fora não sei...mas por dentro todos podemos ser cada dia mais lindos!

 

Um lindo 2016 (17, 18, 19, 20...) para nós J

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Complexo de Culpa


Durante os 2 superprodutivos anos em que estive em terapia (e amadureci muito) perdi as contas de quantas vezes ouvi a expressão “maldição da herança judaico-cristã”. Pois é. Era assim que meu sábio terapeuta chamava esse sentimentozinho que nos definha por dentro vez por outra: a culpa.

 

Claro que antes de partir de um ponto de vista radical, vale a pena pensar sobre as possíveis intensidades da culpa. Uma coisa é admitir nossos erros e ter a humildade de se responsabilizar pelas falhas e nos comprometermos honestamente a melhorar. Outra bem mais perigosa e devastadora é nos entregarmos ao martírio e à ruminações mentais sem futuro.
Moderação é sempre bom.

 

Me peguei pensando sobre isso ao ler um texto muito bonito em outro blog.

A ideia era propor uma reflexão sobre as exigências que fazemos ao parceiro em um relacionamento. Sobre todas as vezes que exigimos algo e não retribuímos à altura.


Daí comecei a refletir num processo contrário...
E nos casos em que há uma cobrança a si mesmo? Quando o outro nos oferece muito e existe um sentimento constante de dívida e o curso das brigas do casal (ou não apenas falando de casal, mas em qualquer contexto) tornam-se não mais “a culpa é sua”, mas sim “a culpa é minha”?

Será que um excesso de autocomiseração e remorso garante que se viva em paz?

 

Não pretendo responder de fato a esta pergunta, até porque eu mesma me sinto num processo constante de descoberta sobre isso. Porém tendo a achar que até humildade demais é nocivo.

 

Uma das grandes lições que aprendi nesses fatídicos 2 anos terapêuticos foi a fazer uma troca importante: a da “culpa” pela “responsabilidade”.


É simples, mas de efeito magnífico. Todas as vezes em que usava o termo “culpa” era instruída a repetir a frase trocando o termo por “responsabilidade”.

E por incrível que pareça faz diferença!
Quando pensamos em culpa estamos voltados ao leite derramado. Ao mal já feito e irreversível.

Responsabilidade, por outro lado, conota um ato em construção, algo com que você está comprometido. É um termo que carrega em si uma positividade.

Sem contar que culpa é algo que se sente sozinho enquanto a responsabilidade pode ser partilhada.

 

Ser responsável significa literalmente responder. E entre tantas coisas na vida pelas quais respondemos estão os nossos atos, escolhas e nossa plenitude. E sabe de uma coisa? Corroer-se por dentro pelas mancadas passadas é uma opção, mas focar no futuro e chamar no peito a responsabilidade de melhora tem muito mais chances de gerar satisfação do que o auto-flagelo.


Portanto, quando disser a si mesmo “a culpa é minha”, pense de novo, reflita e corrija para “a responsabilidade é minha, o que posso fazer para melhorar isso?”.

Liberte-se.

domingo, 12 de julho de 2015

Pessimismo não é realismo, bebê!

Palavra de ex pessimista. Me creia... Com o tempo a gente aprende que realismo e pessimismo são totalmente diferentes.

Por mais que nós pessimistas tenhamos a ilusão de sermos fodões e mais prevenidos que a maioria dos mortais, a verdade é que nunca conseguiremos dar o "pelé" na vida...não podemos enganar as situações para estar 100% preparados para o que vier.

Resumindo: não adianta esperar o pior acreditando que assim ficará blindado contra frustração quando a desgraça finalmente acontecer, porque você NUNCA vai estar de fato preparado. Por mais que aconteça exatamente a desgraça que você antecipou, você não vai sofre menos porque você estava esperando. Muito pelo contrário. Você irá sofrer em dobro: antes e depois.

Então aprenda: a vida vai sempre te surpreender com formas muito mais terríveis e cruéis de te fazer sofrer e beijar a lona. Mas, calma! Pois também é verdade que irá igualmente te surpreender com coisas muito mais maravilhosas do que você imaginava que seria possível e diversas versões novas e inusitadas de felicidade.

Se você fica esperando o que é ruim você não goza da felicidade e de quebra você ainda vive o sofrimento em dobro quando ele se concretiza. 

Aí eu te pergunto...
Vale a pena?
É funcional?
Te faz crescer?

Acho que não.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

O sexo salvou o amor, mas o erotismo matou o prazer

A boa e a má notícia: sim, o amor está vivo e foi o sexo que o salvou. Mas aí veio o erotismo e acabou com o sexo.

Parece incoerente? Mas se pararmos pra pensar, nem tanto.

Houve um tempo em que fingia-se amor apenas na pretensão de ter acesso ao sexo.
Se você for muito jovem talvez nem acredite, mas tempos atrás as damas e rapazes apenas tinham iniciação na arte de Vênus após contrair o matrimônio (aliás, eu morro de rir o termo “contrair matrimônio”...parece que a pessoa pegou uma doença grave...rs). Contato físico e sentimento deveriam estar diretamente ligados e todos eram obrigados a encontrar ambos sempre na mesma pessoa (resumindo, se você ama alguém deve transar com ela. Ao mesmo tempo, se você deseja alguém também deve amá-lo). Acontece que muitas vezes não é esta a lógica.

Em algum momento a sociedade passou aos poucos a aceitar isso como uma regra que nem sempre se aplica (um salve especial aos hippies e seu conceito revolucionário de amor livre). O corpo se libertou e os corações deixaram de se obrigar a amar de maneira forçada e artificial um objeto de desejo.

Hoje finalmente as pessoas se permitem testar o amor e suas formas, o desejo e suas diversas manifestações. Acredito que para quem é de fato comprometido com sua própria felicidade o contexto ficou propício para escolhermos melhor aquela pessoa especial para nos acompanhar pela vida toda (ou, até, se for o caso, decidir que prefere passar a vida sem ninguém). Podemos testar o efeito de pele, de carinho, de desejo e parceria com mais de uma pessoa, sem que esta decisão seja tomada às pressas ou sob pressão social (ufa!).

Pode até parecer que foi uma super evolução. E talvez tenha sido mesmo por algumas décadas. Mas o tempo passou e os valores se inverteram num grau que imagino que jamais tenha passado na cabeça nem do mais liberado jovem dos anos 60.

Hoje somos inundados de erotismo e quase tudo remete ao sexo (não gosto nem de pensar que hoje tem criança de 9 anos dando aula de putaria...). Desempenho sexual (e uso o termo desempenho mais por hábito do que por achar que essa galera mande bem de verdade) virou algo a ser ostentado, exibido e cultivado em quantidade (medo!). Banalizou.

Quero que fique claro que não sou pudica nem acho que temos que guardar nossa virtude para um príncipe, mas também não acho que devemos usar o sexo como ferramenta de auto-afirmação como tenho visto por aí. Vejo as pessoas cada vez mais se obrigando a serem sensuais o tempo todo e não acho isso saudável (conheço meninas que simplesmente desaprenderam a sorrir e hoje só sabem mostrar a língua e fazer bico nas fotos). Vejo caras comprometidos (e bem em seus relacionamentos) cultivando a possibilidade de uma foda extra-namoro como quem cuida de uma plantinha apenas porque querem mostrar aos amigos que “cachorro amarrado não está morto” ou que “a carne fraca” ou provar a si mesmo que ainda são capazes de despertar desejo em alguém (como se apenas suas companheiras não bastassem...aliás, estou falando aqui do comportamento de homens porque meu ponto de vista é o de uma mulher que já foi assediada muitas vezes por caras comprometidos, mas isso também vale para mulheres!).

Aí me pergunto se talvez isso não seja um puta passo para trás. Porque se o erotismo fica banalizado o frio na barriga morre. O contato físico perde o valor.

Antigamente usávamos o termo química para explicar quando um casal se entendia (na cama e na vida como um todo). Agora sinto que a química está sendo substituída pela mecânica. Temos acesso à pornografia com mais facilidade que nunca (e viva o whatsapp!) e a paranoia com o tal desempenho é tanta que deixamos de ouvir nosso corpo e de prestar atenção no que gostamos, no que queremos...me apavora a idéia de que a mesma menina que se esfrega em deus e o mundo nos “fluxos” da vida provavelmente nunca parou para se masturbar e descobrir seu corpo e como ele funciona.

O erotismo matou o prazer do sexo. E agora?!


Já ouvi músicas que são quase um manual sonoro da sacanagem, mas um manual extremamente cheio de buracos, pois considera corpo, movimento e detalhes físicos...mas não considera que dentro de cada corpo tem um sentimento (e não, não é pra soar romântico, e sim realista), tem uma fantasia uma expectativa. Podemos seguir todo o ritual de bucetas e picas e outras coisas, mas apenas isso nunca bastará para uma boa experiência (esperar isso seria duma inocência e inexperiência ímpar!). Não devemos idealizar demais o sexo, porém o precisamos aprender que a satisfação com ele dependerá do quanto a gente se permite se conhecer (como nosso corpo funciona, quais nossos limites e principais vontades) e que o prazer de cada um é diferente e não deve ser visto como um show a ser exibido, por que é um tesouro para ser desfrutado na intimidade.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

A droga do amor

Me perdoem os amantes de literatura infanto-juvenil por ter usado o título deste clássico do Pedro Bandeira para dar nome pro meu post, mas foi o melhor que me ocorreu.

O amor é um mistério, um desafio, uma coisa rara e, muitas vezes, uma droga. Porque, como dizem: "O amor não é aquilo que te deixa bobo e rindo à toa. O nome disso é maconha. O amor é outra coisa." (tu-dum-tizzz!)

Piadas à parte, embora pareça que o objetivo seja tratar este sentimento tão complexo de maneira negativa, não é bem isso. Quero apenas lançar um olhar racional e porque não dizer "científico" sobre ele.
Amanhã é dia dos namorados. Casais planejam comemorações, apaixonados silenciosos pensam em se declarar, rejeitados amargam suas carências...e eu escrevo.

Escrevo porque pela primeira vez na vida não sei em qual desses grupos me encaixo e comecei a me remoer tentando entender o que é isso que as pessoas chamam de amor.

Digo "as pessoas" porque sei muito bem que o amor que eu idealizo não existe. O amor que eu idealizo é aquela relação positiva de querer bem, de gostar de cuidar, de poder se divertir, ser honesto, transparente e generoso sem ameaçar o vínculo com quem amamos. É uma partilha plena de vida e de valores. (E isso vale para relacionamentos em instâncias que transpõe a vida de casal e que também deve existir entre amigos, familiares, colegas de trabalho etc).

Porém o que vejo sendo chamado de amor é simplesmente a possibilidade de posse de outra pessoa. Muitas vezes vejo casais estendendo relações desastrosas porque não aguentariam ver seus parceiros com outras pessoas. Não se permitem abrir mão da posse do outro e em nome disso abrem mão da possibilidade de uma vida mais plena, porém solitária.
(Só pra mim isso não faz sentido?)

Digo que o amor é uma droga, não por achar que seja ruim, mas porque tal como acontece com as drogas de todos os tipos: com o tempo vamos precisando de doses cada vez maiores para sentir o mesmo "barato".
Conhecemos alguém, nos apaixonamos e, no início, apenas algumas horas com esse alguém nos mantém em estado de êxtase por dias. Aí o tempo passa e quando notamos todas as nossas horas estão voltadas para esta mesma pessoa e o tal estado de êxtase se torna progressivamente mais raro.

E é engraçado, mas por coincidência "veneno" e "amor" são palavras intimamente relacionadas, afinal VENENO vem do latim VENENUM: “substância tóxica, veneno”, originalmente “remédio, poção”, possivelmente também “poção de amor”, ligada a VENUS: “amor, desejo sexual”. (estas informações foram coletadas de fontes aparentemente confiáveis deste site. Caso esteja dizendo alguma bobagem -o que eu não estranharia...rs- e algum linguista deseje me corrigir, favor me fique a vontade!)

Então cuidado, crianças... Amanhã o mundo te pressionará para que você tenha alguém, que ame. Mas só faça isso se for sadio. Cuidado para não se intoxicar de ninguém.
E um feliz dia dos namorados a todos!
*Aprecie com moderação*

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Quando o fim se aproxima

Aquela hora que parece que o fim chegou ou está quase...
Respiro. Penso: "se não se começa de uma hora pra outra, porque então o fim precisa ser de repente, no seco, sem nenhum preparo?"
Mas o fato é esse aí mesmo. A conquista é um processo que leva tempo, mas na hora de acabar esperamos que aconteça rápido.

A coisa apaga e daí alguém levanta a questão: "Acabou?" "Separa?" "Tenta ficar junto um pouco mais?"
Mas nunca deixamos o fim se estruturar dentro de nós quando fizemos quando tudo começou. Não permitimos um processo de "desconquista".
A desconquista dói quando perdemos algo que foi bom e ficou ruim. E talvez doa mais ainda quando perdemos algo que era bom, mas parou de funcionar (ainda que não tenha necessariamente deixado de ser bom).

Há que se pensar no que foi bom, no que foi ruim, no que dá pra melhorar e o que não dá.
O tempo leva embora uma bela parcela da tolerância e aquelas pequenas diferencias e incômodos  que eram bem administradas vão ficando gradativamente maiores.

Chega a hora de chafurdar em cada sentimento e analisar com toda racionalidade disponível ao homo sapiens os detalhes técnicos.
Ahhh...os detalhes técnicos são os piores!
Contar pra família e pros amigos. Explicar pra todo mundo que já vê os dois como uma única entidade que as coisas mudaram.
E aí reestruturar os hábitos: não ter mais companhia pra dormir, pra viajar, pra contar as novidades ou pedir ajuda nas madrugadas.

Putz! O fim dá trabalho!
Há que se pensar...



domingo, 3 de maio de 2015

Desejamos sempre mais do que necessitamos

Às vezes pode ser sutil de um modo que nem percebamos, mas, no geral, estamos o tempo todo atrás de mais do que precisamos.

E não me refiro apenas às questões financeiras. Ok, o mundo é capitalista e então a gente trabalha e trabalha para ganhar dinheiro para poder possuir coisas, não temos por onde fugir disso.

Mas não é só quando o assunto é grana que as pessoas estão atrás de mais quantidade do que o necessário.
Por exemplo: eu vejo que as pessoas ficam carentes não porque elas não tem carinho ou não tem amigos, mas sim porque elas gostariam de ter ainda mais amigos e carinho do que elas já tem. Tiramos o foco da qualidade para sofrer pela quantidade.
E na verdade eu acredito que não precisamos de muito.
Quando paro para pensar nos itens necessários para uma vida plena, com paz e realização eu entendo que menos é mais.
Não é necessário ter um milhão de amigos, como queria o Roberto Carlos. Basta ter poucos bons amigos. Se você tiver apenas um bom confidente (alguém que você realmente confie e com quem se se sinta à vontade) então você já tem o suporte necessário para desabafar e se manter em equilíbrio.

Quando saímos pra nos divertir não podemos medir o sucesso da noite apenas pelo volume de álcool que ingerimos ou pela quantidade de pessoas que "pegamos". Claro que tudo faz parte, mas não quer dizer que quanto mais você bebe ou mais você fica com várias pessoas diferentes, maior será seu grau de satisfação.
Creio que a satisfação seja aproveitar o que a vida nos oferece ao máximo, dentro de um limite.
Beber na medida de ficarmos mais descontraídos, divertidos e à vontade, não de passarmos mal. Não é uma relação diretamente proporcional, de que quanto mais a gente beba e quanto mais a gente fique com várias pessoas melhor terá sido a noite. Pode até existir (e com certeza existe) quem calcule as coisas a partir desta lógica, mas acho isso muito raso.

É claro que se saber desejável e sedutor é uma das sensações mais prazerosas que existe, mas também não dá pra passar a vida toda correndo atrás do prazer desta forma. Não precisamos todos os dias conquistar alguém ou cativar cada vez mais seguidores e admiradores.

Eu sei o quanto é brega e clichê essa coisa de dizer que "o bom homem não é aquele que conquista várias mulheres, e sim o que conquista a mesma mulher várias vezes", mas não dá pra negar que não haja um fundo de verdade nisso.

Ninguém consegue viver a vida inteira acumulando quantidade. O segredo da satisfação é aproveitar bem o que você já conquistou, e não querer acumular coisas (sejam afetos ou bens materiais).

Aliás, reforço que faço questão de usar o termo "satisfação" e não o termo "felicidade". Já citei em vários outros textos o quanto acho uma bobagem querer ostentar felicidade a todo custo. Concordo com o fofo do Abujamra [e fiquei de coração partido essa semana com a morte dele] quando ele diz que não devemos nos preocupar com o sucesso, pois o fracasso é muito mais interessante de se ver.
Precisamos saber aproveitar os fracassos e os sucessos para podermos gozar de uma coisa e de outra. Precisamos aprender a tirar proveitos das merdas e das conquistas.

Então, anote a dica de hoje: pare de olhar para o lado e ver quanta gente existe que está ganhando mais que você, quanta gente é mais bonita, gostosa ou descolada que você...quanta gente tem conquistas mais interessantes que você e faz festas com mais convidados que você. O que importa na verdade não é isso, não é o comparar-se. Não se preocupe com o acúmulo, preocupe-se com o desfrute das coisas. Apenas se permita aproveitar tudo o que você tem da forma mais gostosa e foda-se o que não te pertence!



quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Tudo o que morre fica vivo (cemitério na cabeça PII)



Desde sempre me encanta esta música, mas só recentemente fiz uma associação entre ela e uma dessas frases batidas que ouço com frequência: A vida é feita de escolhas.

Fiquei refletindo depois de uma conversa qualquer que, se é fato que a vida é feita de escolhas, e se, como diz o ditado, para cada escolha há uma renúncia, então podemos concluir que a vida é feita de renúncias.

Pensar nisso me causa uma enorme frustração. Afinal nunca fui muito adepta da arte do sacrifício. Tenho muito mais o perfil de quem quer se organizar para viver todas as experiências possíveis pra vida.

Mas em algum momento a ficha cai e o tempo nos mostra que as coisas não são bem assim.

Penso no conceito de renúncia como uma “não possibilidade”, algo que nunca será. É uma espécie de morte das demais opções possíveis. A morte de algo que poderia ter sido, mas não é (nem jamais será).

Me lembro que há muito tempo atrás confessei a uma pessoa que frequentemente me pegava a imaginar como minha vida poderia ter sido se eu tivesse feito algumas pequenas escolhas de forma diferente.

Ela me respondeu que se eu não experimentasse nunca saberia. Que de “e se” em “e se” eu deixaria minha vida passar sem viver de verdade.

E por simples (e até óbvia) que tenha sido a ideia, isso me influenciou de uma maneira que esta pessoa jamais saberá. Os impactos desta influência se faz sentir na minha vida até hoje.

A filosofia do Carpe Diem e do “vamos fazer o máximo de coisas para curtir vida” foi o lema da minha existência desde esta fatídica conversa. Por isso mesmo, acordar para a ideia de que é impossível “zerar” as possibilidades do jogo da vida, e de que viver consiste em abrir mão de coisas o tempo todo, fere profundamente uma parte de mim.

Cada frustração, cada escolha, cada possibilidade não vivida e cada capítulo de nossa história que fica para trás, não fica para trás de fato, mas nos persegue e influencia. Vão se acumulando e nos moldando independente de nossa vontade. É nosso cemitério particular.

Viver não é apenas a arte da escolha, do sacrifício e da convivência com o outro. Também é um exercício de maturidade para convivermos com nossos próprios calos. Não se pode mudar o que já passou. Como diz o ditado: águas passadas não movem moinhos. Da mesma maneira, não se pode mudar o passado do outro com quem convivemos. É necessário aceitar que cada um de nós é uma espécie de saco de “defuntos mentais” ambulante.

Precisamos aprender a lidar com as consequências das feridas do próximo e compreender que algumas vezes seremos nós a sofrer as consequências das ações de terceiros no passado de quem amamos.

Quanto mais intensa a vida, mais escolhas. Quanto mais escolha, mais renúncia. Quanto mais renúncia, mais passado. Quanto mais passado, maior a necessidade de aceitação do outro e resiliência.

Ou, como disse Gustave Flaubert: "Que grande necrópole é o coração humano! Para que irmos aos cemitérios? Basta abrirmos as nossas recordações; quantos túmulos!".

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

É no balanço deste fim de ano

No primeiro texto que postei este ano fiz uma retrospectiva de tudo que me ocorreu em 2013. E tinha coisa pra lembra! Eita!

Revisando as expectativas que tinha e o ritmo frenético em que vivia aqueles dias, posso dizer que, apesar de tudo que ocorreu, 2014 foi um ano brando. Até porque este ano teria que suar muito a tanga pra ralar com ano passado.

Mas também não tenho muito do quê reclamar. Arrumei emprego novo, fiz amizades novas, conheci alguns lugares diferentes, tirei a bendita carta de motorista (finalmente!) e faturei até um namorado, vejam só!

E na retrospectiva deste fim de ano concluo que, como diz meu pai, janeiro chega. O tempo passa e as coisas mudam independente de nossa vontade. E isso não é bom, nem é ruim. É apenas um fluxo, e essa coisa toda de estar “de bem com a vida” consiste no nosso poder de adaptação aos fatos.

Desejos para o ano que entra eu tenho muitos. Mas fiz um trato com 2015: não prometerei nada grandioso para ele e ele não me decepcionará.

E que o balanço desse vai-e-vem de folhas de calendário que me aguarda tragam boas novas! Amém!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

A vida e o tomate seco – sobre o direito de ser [in]feliz


Não, não e não. Esse não será um texto de apologia à tristeza, por mais que o título dê esta impressão.

Apenas andei refletindo sobre minha resistência em ter uma felicidade efusiva e escandalosa como a que parece estar na moda hoje em dia.

Sempre fui discreta, contida e desconfiada. Principalmente quando o assunto é felicidade. Por mais que tenha gente que fale em felicidade plena, eu acho que plenitude de verdade não tem nada a ver com um sorriso no rosto 24 horas por dia. Sempre acreditei num mundo baseado em opostos, defendo o conceito do Yin e Yang até debaixo d’agua. Acho que só existe o belo contraponto ao feio, só existe o bem em contraponto ao mal, o frio em contraponto ao calor, o amor em contraponto ao desprezo e, logo, a felicidade em contraponto à tristeza.

Por isso mesmo creio que não existe nem felicidade nem tristeza plena (igual o ditado que diz que não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe).

Acontece que vivemos a era da “Felicidade à todo custo”. O que eu creio, de verdade, ser duma babaquice e pobreza infinita. Afinal, se eu não me permito chafurdar na lama da tristeza vez por outra, como saberei de fato se sou feliz? Já dizia Vinícius de Moraes: Senão, é como amar uma mulher só linda. E daí? Uma mulher tem que ter qualquer coisa de triste, qualquer coisa que chora, qualquer coisa que sente saudade(...)” [samba da Bênção – Vinícius de Moraes]

E mesmo assim toda vez que abro meus e-mails, confiro o feed de notícias do facebook ou comento com alguém que algo na vida vai mal, sou inundada por um discurso simplista do tipo “O importante é não se abater, pôr um sorriso no rosto e seguir como se nada de ruim te atingisse”.

NÃÃÃÃÃÃOOOOO!!! Definitivamente não!

Felicidade pra mim é como o tomate seco. Uma delícia! Mas se exagerar acaba sufocando os outros sabores e empobrecendo a receita.

Portanto é essa a bandeira de hoje: se permita ser infeliz! Sofra! Chore! Se esparrame em tudo o que deu errado! Depois, quando a vida lhe sorrir de novo, você como ela conseguira ser mais colorida do que parecia antes!
 

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Moleques que pegam gostosas e os erros nossos de cada dia

Estava eu numa tarde qualquer zapeando na internet e fuçando os links compartilhados do facebook quando dou de cara com uma imagem. Era a foto de um menino de uns 13 anos dando “uns pega” numa gostosa peituda de pelo menos 19.

Ok. Blz.

Achei aquilo meio estranho, nojento e quase constrangedor. Aí resolvi, como quem não quer nada, dar uma conferida nos comentários, porque normalmente nessas notícias de “inutilidades internéticas” a parte mais legal/interessante/engraçada fica por conta da manifestação popular e achei que esta seria uma notícia promissora no quesito “comentários bizarros”.

Não deu outra. Tinha gente falando que era um absurdo, que era nojento, que “como assim o menino que nem piroca tem ainda tá pegando uma mulher dessas?” e blá blá blá. Então um dos comentários me chamou atenção. Não cheguei a reparar se vindo de uma menina ou de um cara, mas era mais ou menos assim: “Tem que fazer isso mesmo! Deixa o menino pegar quem ele quiser! Melhor ele fazer isso do que estar na rua usando drogas ou estar cometendo algum crime”. (risos...ou talvez uma cara de tela azul do Windows seja mais adequada...)

Quem foi que disse que a vida consiste simplesmente num jogo de opções?

Não quero fazer nenhuma avaliação se o menino tinha que pegar a gostosa ou não tinha que pegar a gostosa. Até porque, se estavam os dois se pegando é porque estava todo mundo feliz e não é da minha conta.

Mas aí me lembrei de um diálogo mais ou menos parecido que tive com uma conhecida minha que rói muito as unhas. Uma vez perguntaram para ela “Porque você rói as unhas? Sua mão fica tão feia! Você não deveria fazer isso”. E a resposta dela foi “Acontece que eu fui fumante, se eu não roer as unhas voltarei a fumar. Você prefere que eu roa as unhas ou fume?”.

Sinceramente achei isso uma puta duma chantagem sentimental barata. Quer dizer então que agora as pessoas são obrigadas a aceitar que façamos uma coisa errada para que evitemos fazer uma coisa mais errada ainda?!

Ah, vá!

Pra mim essa teoria é tão furada quanto uma pessoa que justifica o seu erro com base no erro dos outros. Tipo “não é errado eu furar uma fila ou burlar alguma regra que me desfavoreça se tem tanto político corrupto nesse país”.

Minha opinião: E daí que tem uma pessoa que faz uma coisa errada menos errada que a sua?! Isso não vai fazer a sua coisa errada se tornar certa, me desculpe!